Foz do Iguaçu saiu da eleição de domingo com três deputados estaduais, contra um na legislatura que está terminando. Somando o deputado federal da cidade, a bancada iguaçuense passou de dois para quatro parlamentares.
Mas o dado mais interessante não é o tamanho da bancada. É o jeito como dois dos eleitos chegaram lá — por caminhos que não podiam ser mais diferentes.
Mac Donald: 95,4% dos votos em uma só cidade
Paulo Mac Donald Ghisi, do Progressistas, teve 45.275 votos no Paraná. Dentro de Foz do Iguaçu, teve 43.208.
Ou seja: 95,4% de toda a sua votação estadual saiu de um único município. Na cidade, ele foi o candidato a deputado estadual mais votado, com 28,51% dos votos dados ao cargo em Foz — quase quatro em cada dez pontos percentuais acima do segundo colocado.
É um desempenho que só se explica pela biografia. Mac Donald foi prefeito de Foz do Iguaçu por dois mandatos consecutivos, de 2005 a 2012. Desde então, tentou voltar três vezes — em 2016, 2020 e 2024 — e não conseguiu. Esta é a primeira eleição que ele ganha em catorze anos.
Questionado sobre 2028, ele não desconversou. “Durante toda a campanha eu disse claramente que continuo tendo interesse em voltar a administrar Foz do Iguaçu”, afirmou. E completou: “Se em 2028 as condições estiverem presentes e eu entender que ainda posso contribuir com a cidade, pretendo colocar meu nome à disposição novamente.”
Sobre o mandato que começa agora, ele delimitou o que considera ser a função: “Deputado não administra a cidade. Deputado deve abrir portas, articular recursos, fiscalizar e ajudar a transformar boas propostas em política pública.”
Yasmin Hachem: voto em 397 das 399 cidades do Paraná
Yasmin Hachem, do PT, teve 43.343 votos — e os recebeu em 397 dos 399 municípios paranaenses.
Em Foz do Iguaçu, ela fez 9.389 votos, o que representa 21,7% do seu total. Em Curitiba, 7.535. Somadas, as duas cidades respondem por 39% da sua votação; os outros 61% vieram pulverizados pelo resto do estado.
É o oposto exato do mapa de Mac Donald: ele, uma cidade; ela, quase todas.
Ela atribui isso à campanha digital. “As redes sociais me ajudaram a chegar nas pessoas, e a profundidade do nosso projeto convenceu elas a se somar a algo em que acreditam”, disse.
Aos 30 anos, nascida em 22 de março de 1996, Yasmin será a deputada mais jovem da próxima legislatura. Não é a primeira vez que carrega esse título: em 2020 foi eleita a vereadora mais jovem já eleita em Foz, aos 24 anos.
A trajetória dela tem uma particularidade — três eleições vencidas por três partidos diferentes. Foi eleita vereadora pelo MDB em 2020, com 2.228 votos; reeleita pelo PV em 2024, com 2.309 votos, na sétima colocação; e filiou-se ao PT em março de 2026, poucos meses antes de disputar a sua primeira eleição estadual. Dos 2.228 votos da primeira eleição aos 43.343 de agora, a votação multiplicou-se por dezenove.
Advogada, ela é a primeira filiada ao PT de Foz a conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná, e a primeira mulher da cidade a chegar lá desde Cláudia Pereira, eleita em 2014. A prioridade que aponta para o mandato é saúde, especificamente o financiamento estadual para municípios de fronteira.
Com a ida dela para a Assembleia, abre-se uma vaga na Câmara Municipal de Foz. A informação é de que será ocupada por Luiz Henrique Dias, primeiro suplente da federação do PT.
O terceiro eleito e o tamanho da bancada
O terceiro deputado estadual de Foz é Matheus Vermelho, do PL, que teve cerca de 50,8 mil votos no estado e 10.871 em Foz do Iguaçu. Ele era o único representante da cidade na Assembleia na legislatura que termina.
A cidade mantém ainda um deputado federal, reeleito, com 14.808 votos em Foz.
O contraste que ficou
Vale registrar o conjunto, porque ele é mais complicado do que qualquer leitura rápida sugere. No mesmo domingo em que Foz do Iguaçu deu 60,96% dos votos válidos a Flávio Bolsonaro no primeiro turno presidencial, a cidade elegeu para a Assembleia um ex-prefeito do Progressistas, um deputado do PL e a primeira deputada estadual do PT na sua história.
E elegeu os três por mecanismos diferentes: um pela memória administrativa concentrada no próprio município, outra por uma votação espalhada por quase todo o estado, o terceiro por reeleição.
A legislatura começa em 2027. Pela primeira vez, Foz do Iguaçu chega lá com três vozes em vez de uma.
Quem Foz elegeu
- Paulo Mac Donald Ghisi (Progressistas)Deputado estadual — 45.275 votos no Paraná, 43.208 em Foz do Iguaçu
- Concentração em Foz95,4% da votação dele saiu de um único município
- Desempenho na cidadeMais votado para deputado estadual em Foz, com 28,51% dos votos ao cargo
- TrajetóriaPrefeito de Foz de 2005 a 2012; tentou voltar em 2016, 2020 e 2024 — primeira eleição vencida em 14 anos
- Yasmin Hachem (PT)Deputada estadual — 43.343 votos no Paraná, 9.389 em Foz do Iguaçu
- AlcanceRecebeu voto em 397 dos 399 municípios paranaenses
- Distribuição21,7% do total em Foz e 7.535 votos em Curitiba; as duas cidades somam 39%
- MarcasMais jovem da próxima legislatura, aos 30 anos; primeira do PT de Foz na Alep; primeira mulher da cidade desde Cláudia Pereira, em 2014
- TrajetóriaVereadora pelo MDB em 2020 (2.228 votos) e pelo PV em 2024 (2.309 votos); filiou-se ao PT em março de 2026
- Vaga na Câmara de FozDeve ser ocupada por Luiz Henrique Dias, primeiro suplente da federação do PT
- Terceiro eleitoMatheus Vermelho (PL) — cerca de 50,8 mil votos no estado e 10.871 em Foz
- BancadaFoz passa de 1 para 3 deputados estaduais; com o deputado federal, de 2 para 4 parlamentares
- Início da legislatura2027
Com informações de Apuração do TSE/TRE-PR divulgada pelos veículos locais; declarações dos eleitos publicadas por H2FOZ, Plural e Gazeta do Paraná.