Se você vir uma van percorrendo o seu bairro soltando mosquitos na semana que vem, não se assuste. É o contrário do que parece.
A partir de terça-feira (25), Foz do Iguaçu começa a segunda etapa do Método Wolbachia — a soltura dos chamados wolbitos, mosquitos Aedes aegypti que carregam uma bactéria capaz de bloquear a transmissão da dengue.
Esta etapa atende 28 bairros e, com ela, o método passa a cobrir 100% da área do município.
Como funciona
A Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em cerca de metade dos insetos da natureza — mas ausente no Aedes aegypti. Quando introduzida nesse mosquito, ela impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro dele.
Os wolbitos liberados se reproduzem com os mosquitos locais, e os descendentes passam a carregar a bactéria. Aos poucos, a população local inteira de Aedes aegypti deixa de transmitir a doença.
Não há modificação genética envolvida, nem no mosquito nem na bactéria. E o método é considerado autossustentável: depois que a Wolbachia se estabelece na população local, não há necessidade de novas liberações.
O calendário
A soltura será feita ao longo de 26 semanas, com monitoramento paralelo para acompanhar o estabelecimento dos mosquitos nas áreas atendidas.
Desde maio, equipes do CCZ vinham fazendo ações educativas nos bairros. E no dia 10 de agosto começou a pesquisa pré-liberação, última etapa antes da soltura, que avalia o conhecimento e a aceitação dos moradores.
O que mudou desde 2024
Os números explicam por que a Prefeitura está expandindo o método.
Em 2024, Foz do Iguaçu enfrentou uma epidemia com 14.683 casos confirmados e 10 mortes. Em 2025, foram 1.031 casos. Em 2026, a cidade mantém a dengue sob controle e não registra nenhum óbito pela doença.
A primeira etapa do método começou em agosto de 2024, contemplando as regiões de maior risco, e alcançou cerca de 50% da área urbana ao longo de 2025.
Meu bairro está incluído?
A resposta é praticamente sempre sim. Como esta etapa completa 100% do território, todo bairro que não foi atendido na primeira fase entra agora.
Quem conduz
O Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz e pela Wolbito do Brasil, com apoio do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e da Itaipu Binacional.
Foz do Iguaçu está entre as seis cidades pioneiras na implantação do método no Brasil, que hoje alcança 16 municípios.
O mosquito comum continua sendo problema
O CCZ alerta que a expansão do método não substitui os cuidados de sempre. O Aedes aegypti segue presente na cidade, e a eliminação de criadouros — pratos de planta, calhas entupidas, recipientes com água parada — continua necessária.
Serviço
- O que começaSegunda etapa do Método Wolbachia, com soltura de mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria
- QuandoTerça-feira, 25 de agosto de 2026
- Duração26 semanas de liberação, com monitoramento simultâneo
- Alcance28 bairros, completando 100% da área do município e beneficiando mais de 140 mil pessoas
- É seguro?Sim. Não há modificação genética, e o método é considerado seguro para pessoas, animais e meio ambiente
- Precisa fazer alguma coisa?Não. A liberação é feita por equipes do CCZ em veículos, sem necessidade de entrar nas residências
- Dengue em Foz14.683 casos e 10 mortes em 2024; 1.031 casos em 2025; nenhum óbito em 2026
- Quem conduzFiocruz e Wolbito do Brasil, com apoio do Ministério da Saúde, da Sesa-PR e da Itaipu Binacional
- Continua necessárioEliminar criadouros: pratos de planta, calhas entupidas e recipientes com água parada
Com informações de Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Foz do Iguaçu.