A loja Star Company, na galeria Jebai Center, em Ciudad del Este, teve medicamentos apreendidos em uma operação realizada na quinta-feira, 3. A informação foi divulgada pelo Portal CDE, veículo local que publicou imagens da ação, e ainda não foi confirmada por outros veículos paraguaios.
Segundo o portal, o procedimento foi conduzido por uma comitiva do Ministério Público paraguaio, com participação da Polícia Nacional e da Dirección Nacional de Vigilancia Sanitaria (Dinavisa). As imagens mostram centenas de frascos de tampa azul e blísteres dispostos sobre uma mesa, além de agentes fazendo o inventário do material.
Duas suspeitas distintas aparecem na divulgação. A primeira é de que parte dos produtos seja presumidamente falsificada. A segunda é de que se trate de medicamentos do laboratório Éticos comercializados sem autorização da farmacêutica — situação diferente, que envolve canal de distribuição e direito de marca, e não necessariamente produto adulterado.
Nenhuma pessoa foi presa ou indiciada. Os produtos foram recolhidos e devem passar por perícia para determinar autenticidade e composição. Até que esse resultado saia, não é correto afirmar que os itens mostrados nas imagens sejam falsificados.
O laboratório Éticos e a série de operações
O Éticos é um laboratório farmacêutico paraguaio e fabricante do Lipoless, um dos produtos à base de tirzepatida que aparecem com mais frequência nas apreensões dos últimos meses em Ciudad del Este.
A marca já tinha surgido na investigação. Em abril, numa operação em um depósito da avenida Adrián Jara, no edifício Victoria, agentes apreenderam cinco mil pliegos de etiquetas da marca Lipoless Éticos de 15 mg e cinco mil pliegos de lacres com o logotipo do laboratório, além de frascos vazios, tampas, bulas, seringas e canetas injetoras. O responsável pelo local foi detido e depois imputado. As evidências foram avaliadas, à época, em cerca de US$ 900 mil.
A operação de quinta-feira é o episódio mais recente de uma sequência que se arrasta desde o primeiro semestre. Na véspera, na quarta-feira 2, o Ministério Público fez buscas em duas farmácias do microcentro — identificadas pelo portal Noticde como Dr. Cel e Farma Fit, esta última também no Jebai Center — e apreendeu produtos das marcas TG, Tirzec e Lipoless. São procedimentos distintos, dentro do mesmo inquérito.
Antes disso, em abril, foram desarticulados o que as autoridades classificaram como laboratórios clandestinos, onde água para injeção era fracionada manualmente em frascos pequenos e rotulada com etiquetas de laboratórios conhecidos. Em maio, um depósito no próprio Jebai Center teve 580 caixas de medicamentos presumidamente falsificados apreendidas. Em agosto, outra ação recolheu 248 caixas e 1.503 ampolas de tirzepatida, além de quatro veículos; dois brasileiros foram detidos e depois expulsos do país.
Nesta sexta-feira, o promotor Ysrael Villalba, da unidade especializada em propriedade intelectual do Alto Paraná, afirmou à imprensa paraguaia que amostras apreendidas nas operações estão sendo enviadas aos laboratórios das empresas afetadas para análise. Segundo ele, códigos de barras, embalagens e outras características levantaram suspeitas sobre a autenticidade de parte dos produtos.
O outro lado da ponte
O que dá dimensão a essa história para quem lê em Foz é o volume que entra pela Ponte da Amizade.
Na terça-feira, 2, a Receita Federal apreendeu 1.040 ampolas de tirzepatida na zona primária da Aduana. Segundo o órgão, o suspeito acessava o estacionamento por um corte na grade de proteção, descia um barranco em direção à área de exportação e repassava a mercadoria a um motociclista nas proximidades da BR-277.
O número que mostra o tamanho do fluxo é outro: até 1º de setembro de 2026, a Receita Federal já havia apreendido 159.306 unidades de tirzepatida na região da Ponte Internacional da Amizade — alta de aproximadamente 2.030% em relação ao período de maio a dezembro de 2025.
É esse o circuito que as duas pontas da investigação desenham. De um lado, produto de origem incerta sendo vendido no comércio de Ciudad del Este. Do outro, um volume crescente cruzando a ponte por rota clandestina.
A Dinavisa vem alertando desde janeiro sobre a comercialização não autorizada, em Ciudad del Este, de produtos que declaram conter tirzepatida sem registro sanitário válido. O risco apontado pela agência é direto: em um medicamento falsificado não se conhece a composição, nem a origem, nem as condições de fabricação — e trata-se de produto injetável.
Serviço
- O que aconteceuApreensão de medicamentos na loja Star Company, na galeria Jebai Center, em Ciudad del Este, na quinta-feira, 3 de setembro de 2026
- Quem participouMinistério Público paraguaio, Polícia Nacional e Dirección Nacional de Vigilancia Sanitaria (Dinavisa)
- Situação dos produtosRecolhidos para perícia. Ainda não há laudo que confirme falsificação
- Situação das pessoasNinguém foi preso ou indiciado nesta operação
- Onde comprar medicamento no ParaguaiApenas em farmácias habilitadas. Lojas, quiosques e casas de suplemento não têm autorização para vender medicamentos
- Como conferir um produtoDesde julho, todo medicamento com tirzepatida vendido no Paraguai deve trazer código GTIN (data matrix ou QR) na embalagem, conforme a Resolução Dinavisa nº 91/2026
Com informações de Portal CDE, Noticde, ADN Digital, ABC Color, Ministério Público do Paraguai, Receita Federal.