Nova ponte Paraguai–Argentina pode encurtar 300 km e desviar carga de Foz do Iguaçu
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Nova ponte Paraguai–Argentina pode encurtar 300 km e desviar carga de Foz do Iguaçu

Uma missão do governo de Santa Catarina ao Paraguai colocou na mesa a construção de uma ponte entre Mayor Otaño e a cidade argentina de El Dorado. A obra encurtaria cerca de 300 km no frete rumo ao Sul do Brasil — por um caminho que não passa por Foz do Iguaçu.

Foz & Fronteira 12 de agosto de 2026, às 10h15
Foto: Portal da cidade

Uma ponte a mais de 300 quilômetros de Foz do Iguaçu pode mexer com o fluxo de carga que hoje atravessa a cidade. A proposta apareceu durante a missão do governo de Santa Catarina ao Paraguai, liderada pelo governador Jorginho Mello, e prevê uma ligação rodoviária entre o distrito paraguaio de Mayor Otaño, no departamento de Itapúa, e a cidade de El Dorado, na província argentina de Misiones.

A conta que animou os dois governos é de logística: a nova travessia encurtaria cerca de 300 quilômetros no transporte terrestre entre o Paraguai e Santa Catarina.

Por que o Paraguai quer

A comitiva catarinense foi recebida pelo presidente interino do Paraguai, o vice-presidente Pedro Alliana, e pelo ministro da Indústria e Comércio, Marco Riquelme.

Ao comentar o encontro, Alliana apresentou o argumento econômico: Santa Catarina tem PIB em torno de US$ 100 bilhões, população de 8 milhões de habitantes e foi um dos estados que mais cresceram no Brasil no último ano, com expansão perto de 6%.

Segundo ele, uma ligação mais direta significaria custo menor para os produtores paraguaios, além de mais comércio, indústrias e investimentos.

Uma linha reta que passa pela Argentina

O desenho proposto permitiria traçar praticamente uma linha reta entre o sul do Paraguai e o Oeste catarinense, cruzando o território argentino de Misiones.

É esse detalhe que muda o significado da obra para quem vive na Tríplice Fronteira: a rota não passa por Foz do Iguaçu. Nem pela Ponte da Amizade, nem pela Ponte da Integração.

O que isso significa para Foz

Foz do Iguaçu é hoje a fronteira terrestre mais movimentada do Brasil. Pela Ponte da Amizade passam cerca de 45 mil veículos e 103 mil pessoas por dia — o equivalente a 16,5 milhões de veículos e 37,7 milhões de pessoas por ano, segundo a Alfândega da Receita Federal.

O peso econômico está no Porto Seco da cidade, um dos maiores da América Latina, com movimentação média de 800 caminhões por dia. Em 2025, o recinto movimentou US$ 9,79 bilhões em comércio exterior, alta de 13,86% sobre o ano anterior, com US$ 5,05 bilhões em exportações e US$ 4,74 bilhões em importações.

O Paraguai é o parceiro dominante nesse fluxo: em 2024, dos 196.599 caminhões liberados no Porto Seco, 151.723 vieram ou foram para o país vizinho — 77,17% do total.

O detalhe que aproxima os dois assuntos

A nova ponte sairia de Itapúa, departamento que concentra boa parte da produção agrícola paraguaia. E as principais mercadorias que o Brasil importa do Paraguai por Foz do Iguaçu são justamente grãos: arroz, trigo, milho e soja, além de carne.

Do outro lado da conta, o Oeste catarinense é o polo de agroindústria de aves e suínos do país, e depende de grão para ração. Em missões anteriores, o próprio governo de Santa Catarina afirmou que o grão consumido ali percorre hoje cerca de 1,8 mil quilômetros desde Mato Grosso.

Ou seja: a rota discutida mira exatamente o tipo de carga que hoje entra no Brasil por Foz do Iguaçu.

Um sinal que já aparece nos números

Há um dado que merece atenção: em 2025, o volume físico de carga no Porto Seco caiu 5,31%, de 5,45 milhões para 5,16 milhões de toneladas — enquanto o valor subiu quase 14%.

Peso caindo e valor subindo indica mudança de perfil: menos carga a granel, mais mercadoria de valor agregado. Se essa tendência já está em curso, uma rota alternativa para grãos aceleraria o movimento, sem necessariamente reduzir o faturamento do Porto Seco.

O pacote maior

A ponte foi um de sete temas econômicos tratados na missão. Entre os outros estão a chamada rota do milho, o uso dos portos catarinenses pelo Paraguai e um projeto de cabo submarino.

A comitiva catarinense incluiu o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Gilberto Seleme, e os secretários de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen; da Fazenda, Cleverson Siewert; e da Comunicação, Bruno Oliveira. Também participaram o presidente da InvestSC, Gil Prayon, e a presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante.

Serviço

  • O quE ÉProposta de ponte rodoviária entre Paraguai e Argentina
  • ondeMayor Otaño (Itapúa, PY) e El Dorado (Misiones, AR)
  • PARA QUÊEncurtar o frete terrestre até Santa Catarina
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  • quem decidegovernos do Paraguai e da Argentina
  • passa por foz do iguaçu?Não
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