A Ponte Internacional da Integração começou nesta segunda-feira, 14, a nova etapa de funcionamento que libera a travessia de veículos de passeio. E começou sem movimento: até cerca das 9h, duas horas depois do início do horário autorizado, nenhum carro havia feito a travessia na nova modalidade.
A circulação foi liberada às 7h para moradores cadastrados de Foz do Iguaçu, no Brasil, e de Ciudad del Este, Presidente Franco e Hernandarias, no Paraguai. Nesta primeira fase, a passagem está autorizada diariamente até as 13h, sem limitação por dia da semana.
Mesmo sem travessias, a estrutura de fiscalização já estava montada para receber os veículos.
Todo carro será revistado
A auditora-chefe da Receita Federal na Ponte da Integração, Clarissa Raquel de Souza Savaris, explicou à Rádio Cultura como funcionará o controle nesta etapa: 100% dos veículos particulares que usarem a ponte serão fiscalizados.
Entre as condições que os motoristas precisam cumprir está a proibição de transporte de mercadorias, salvo as situações admitidas como subsistência.
Por que a ponte amanheceu vazia
O caráter experimental e o horário restrito já vinham previstos para esta fase. Mas há razões concretas para a ausência de carros no primeiro dia, e elas se acumulam.
A primeira é o prazo. O Documento de Trânsito Vicinal Fronteiriço é obrigatório para todos os ocupantes do veículo, inclusive crianças, e a emissão leva até 72 horas úteis após a verificação dos requisitos. Quem soube da liberação na semana passada e foi atrás do documento não teria como estar com ele em mãos hoje.
A segunda é o custo, que segue indefinido. No Brasil, a Polícia Federal cobra R$ 63,85 pela emissão. No Paraguai, a Dirección Nacional de Migraciones fixou o valor em dois salários mínimos diários, hoje equivalentes a G. 234.154. Como cada cidadão precisa obter o documento no país vizinho, o morador de Foz paga a taxa mais cara. O Brasil pediu ao Paraguai que reduza o valor, invocando reciprocidade, e o tema segue em negociação na Comissão Mista.
A terceira é política. Como este portal publicou na sexta-feira, as autoridades municipais de Presidente Franco consideram insuficientes as condições estabelecidas e reivindicam um regime parecido com o da Ponte da Amizade, sem documento específico e sem janela de horário.
Além do DTVF, o carro precisa de documento de identidade válido de todos os ocupantes e de seguro internacional — a Carta Verde. Os requisitos completos estão no guia publicado por este portal.
O que continua valendo
Quem não tem o DTVF segue atravessando normalmente pela Ponte Internacional da Amizade, com os trâmites migratórios de sempre.
A liberação desta segunda é mais uma etapa da implantação gradual da Ponte da Integração, que está em abertura progressiva desde dezembro de 2025. A travessia tem 760 metros de extensão e foi construída em parceria entre o Governo do Estado, a Itaipu Binacional e o Governo Federal.
A partir de hoje também muda o horário dos caminhões de grande porte vazios, que passam a usar a ponte das 18h às 5h.
Serviço
- Horário dos carrosDas 7h às 13h, todos os dias, em caráter experimental
- Caminhões vaziosDas 18h às 5h
- Quem podeMoradores cadastrados de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este, Presidente Franco e Hernandarias
- DocumentosDTVF para todos os ocupantes, inclusive crianças, identidade válida e Carta Verde
- Fiscalização100% dos veículos particulares serão revistados
- Prazo de emissão do DTVFAté 72 horas úteis após a verificação dos requisitos
- Custo no BrasilR$ 63,85 na Polícia Federal
- Custo no ParaguaiG. 234.154 na Dirección Nacional de Migraciones, em negociação
- Onde pedir, brasileirosDirección Nacional de Migraciones, Avenida Rogelio Benítez, Ciudad del Este
- Onde pedir, paraguaiosPolícia Federal, em Foz do Iguaçu
- ComprasProibidas nessa modalidade — só itens de subsistência
- Sem DTVFA travessia pela Ponte da Amizade segue normal
Com informações de Rádio Cultura Foz, com declarações da auditora-chefe da Receita Federal na Ponte da Integração, Clarissa Raquel de Souza Savaris; Comissão Mista Brasil-Paraguai.